To Live Abroad

+ Desafios da Expatriação

*Por Graziele Zwielewski

Com a intensificação das práticas de expatriação, tanto as empresas quanto os profissionais se deparam com novos desafios, pois a cada momento uma nova geração de executivos internacionais esta se formando, com missões e benefícios diferentes daqueles experimentados pelas antigas gerações. Constantes mudanças contratuais e nas relações de trabalho, afetam a motivação profissional, o engajamento e a capacidade de atuação; fazendo com que as empresas passem a olhar a expatriação como uma forma de alcançar vantagem competitiva enquanto que o profissional vê na expatriação uma oportunidade de ter uma carreira internacional e o desenvolvimento de algumas competências. Mas nem todos os profissionais possuem perfil para serem expatriados, é um desafio para a empresa a escolha desses profissionais, já que terão que migrar entre diferentes grupos e lidar com as diferenças.  São várias as conseqüências para a gestão de uma expatriação frustrada, entre elas: prejuízos financeiros; redução de produtividade; perda de market share; perda de posição competitiva; destruição de equipe de trabalho; prejuízos nas relações com clientes e fornecedores; perda de imagem e reputação da empresa no mercado.

Um profissional que assume a expatriação, entrará em contato com uma nova cultura e precisa abrir mão de tudo que lhe é conhecido e mergulhar em um mundo que requer novas representações e novos significados. Isso significa sair da sua zona de conforto e entrar em um terreno desconhecido onde a não compreensão deste ambiente afeta o bem estar psicológico do expatriado e dificulta o seu ajustamento intercultural.

A forma como o expatriado vê as diferenças culturais determinará seu nível de estresse inter cultural. Claro que fuso horário, idioma, formas de se relacionar, diferença de pontualidade, informalidade nas relações, maneira de dar e receber feedback, posturas diante do trabalho entre outros, influenciam na reação do profissional diante do novo contexto; porém a aceitação mutua do expatriado com o “diferente dele” é que vem trazendo maiores problemas para a adaptação do expatriado já que o ser humano se percebe através do olhar do outro.

É importante que o expatriado se aceite, tenha boas relações pessoais no país anfitrião, autonomia, domínio do ambiente e da situação, tenha um propósito de vida e de crescimento pessoal. Claro que quanto mais distante for a cultura entre os países, maiores as dificuldades de adaptação uma vez que o expatriado não conhece os mecanismos de interpretação da nova cultura, e pode se sentir inadequado. É essencial que o expatriado construa um espaço de convivência com a nova cultura e para isso precisará de forças, que geralmente vem da família.

Quando a família acompanha, ótimo! Percebe-se que expatriados que viajam sem a família sofrem muito mais do que os que vão acompanhados. Mas a família também enfrenta desafios, que precisam ser considerados: cônjuges que abrem mão da carreira e compartilham sentimentos de angustia, culpa, solidão, perda, falta de reconhecimento profissional; não podem exercer a profissão por motivos legais, passam a ter relações sociais restritas e sentem enorme necessidade de suporte. Filhos que não se adaptam ao novo contexto escolar; hábitos alimentares; opções de lazer; opções de esporte; condições do transporte; condições dos serviços de saúde; nível de ensino das escolas; entre outros.

Para que a expatriação seja bem sucedida precisa-se analisar o seu cumprimento integral (o não retorno precoce do expatriado); adaptação do expatriado; e a repatriação (que provoca o mesmo estresse vivenciado na partida inicial). Expatriar significa alterar rotinas, alterar costumes, mexer em valores pessoais, construir uma nova rede de relacionamentos tanto para a pessoa que esta sendo movimentada, quanto para a sua família. Cria-se uma nova infra-estrutura e para isso a família precisa estar bem emocionalmente para enfrentar os desafios do processo de adaptação.

O acompanhamento constante da empresa com relação ao expatriado e sua família, é fundamental para uma boa adaptação à nova vida, de preferência muito antes da partida. Remuneração diferenciada sim; viagem para familiarização sim; house hunting sim;  treinamentos interculturais também, mas além disso; apoio psicológico constante para toda a família é essencial para que haja um melhor ajustamento psicológico (saúde mental; satisfação pessoal; habilidades sociais; trabalho; escola; compreensão de si mesmo), maior auto confiança, clareza de objetivos, desdobramento de suas habilidades técnicas e gerenciais para a realização e sucesso da missão.

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01/20/2010 - Posted by | Desafios da Expatriação

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