To Live Abroad

Uma esposa na Austrália

Nome: Juliana Gomes da Cunha

Filhos? Sim    Quantos? 4

Em quais países você já morou? Brasil, Australia

Quanto tempo na Austrália? 4 anos e 8 meses

Motivo da mudança: Trabalho. Meu marido é engenheiro da Electrolux, empresa líder mundial em eletrodomésticos. Ele trabalhava na planta de Curitiba e foi transferido para a planta de Orange, no estado de New South Wales, na Australia.

Qual o fator determinante pra você (ou para a família) aceitar(em) a transferência internacional? Crescimento profissional e pessoal. Sempre gostamos muito de viajar e conhecer novas culturas.

De quem você recebeu auxiliou durante a mudança?

– Recepção no país: Da empresa e de brasileiros que já trabalhavam na Electrolux.

– Busca de bairro para moradia: brasileiros

– Busca de escola ou cursos: Não precisamos…

– Inserção em redes sociais (clubes, grupos de brasileiros,…): Fizemos amizade com os brasileiros mas não participamos de nenhum grupo organizado. A vizinhança semrpe foi muito receptiva.

De zero à dez (0-10), quanto você acredita que precisou abrir mão de tudo que lhe é conhecido para entrar em um mundo com novas representações e novos significados? 8

Quais os fatores interculturais abaixo mais estressantes para os menos para você? Serviço de saúde / Falta de relaçoes sociais / Alimentaçao / fuso horario / informalidade nas relacoes / formas de se relacionar / idioma / diferenca de pontualidade

Relate uma ou mais diferenças entre o Brasil e o país onde você está morando, que em um deles é considerado normal e no outro não: Aqui na Australia as pessoas nao sao tao ligadas na aparencia como no Brasil. Isso me chamou bastante a atencao no inicio. Talvez seja uma caracteristica do interior… nao sei. Vemos com frequencia criancas e adultos andando descalcos na rua, nos supermercados… e nao é porque eles nao condicoes de comprar sapatos!! Na minha opiniao, os australianos sao mais “relaxados” que os brasileiros… tanto na questao da vaidade quanto no jeito mais tranquilo de viver a vida.

Alguma diferença cultural entre o Brasil e o país onde você mora, que te chocou? Nao consigo pensar em nenhuma grande diferenca cultural…

Alguma atitude tua, chocou outras pessoas deste país? Acredito e espero que nao (risos)

Alguma festa comemorativa é festejada de forma diferente dos costumes brasileiros? Quais? Na pascoa, em algumas escolas, eles fazem um “Hat Parade”, um desfile com chapéu decorado pelas proprias criancas. Eles enfeitam com ovinhos, coelhos, pintinhos, qlqer coisa relacionada a Pascoa. Nao me lembro de ter visto isto no Brasil… No natal, eles abrem os presentes na manhã do dia 25 e nao na vespera como no Brasil.

Como você lidou com as festas de fim de ano longe da sua família no Brasil? Nos dois anos que passamos o Natal na Australia, tivemos a sorte de ter conosco minha mae em 2005, e meu pai e minha mae em 2007 (coincidindo com o nascimento de nossos filhos no final do ano). É realmente uma experiência BEM diferente… Como estamos distantes de todos os amigos e familiares, parece que nao entramos bem no “clima”. Mas nao deixamos de festejar e de curtir esta época. Mostramos para as criancas as diferencas de como celebramos no Brasil e aqui. A tecnologia tambem nos permite um contato maior com a familia distante via internet – conversa por voz e camera.

Em algum momento você se sentiu desconfortável, como um “peixe fora d’água”? Acredito que o primeiro ano morando fora e o comeco do segundo foi o periodo mais dificil para mim. Nao cheguei a me sentir um peixe fora d’água porque sempre me senti bem acolhida na Australia, mas me senti sozinha. Tive que me esforcar para fazer novos amigos. Tinha como obrigacao sair de casa, participar do Playgroup com as criancas…. E aos poucos, fomos criando um circulo de amizade muito bacana. Ali percebemos o quanto valeu a pena todo o sacrificio do comeco.

Do que você mais sentiu ou sente falta, que no Brasil você tem? Ah… a familia e os amigos sempre fazem muita falta. Algumas comidinhas tambem, mas isso da pra segurar até a proxima visita hehe As vezes bate saudade do cheiro da nossa terra molhada, da brisa do mar de Sambaqui… mas temos todas as boas lembranças bem guardadas num lugar especial. O que dói mesmo é saudade de pai, mãe, irmãos.

Qual o papel você acredita que a família tem, em casos de não adaptação cultural? No que você acha que a família pode auxiliar? Tenho certeza que a minha familia – marido e filhos – foi a peça fundamental para fazer esta experiencia dar certo. Pensando neles, insisti nas dificuldades e superei os desafios.

No que a experiência de ser expatriado, contribuiu pra você? Um crescimento interior muito grande. Aprendi que tenho condicoes de comecar do zero, fazer parte de uma sociedade que antes nao significava nada para mim. Fortaleci meu casamento e criei raízes ( e filhos, quatro!!!)

Relate algumas situações onde seus filhos passaram por dificuldades com relação à adaptação cultural: Quando nos mudamos em 2005  para a Australia, o Arthur – nosso filho mais velho –  tinha 1 ano e 5 meses. Eu estava grávida de nosso segundo filho, Eric, que nasceu em outubro daquele ano. Para o Arthur, sair de casa, do convívio com a família, para morar num lugar diferente, com gente falando uma língua difrente, foi bastante difícil. Lembro que ele ficava olhando pela janela, aguardando o papai chegar do trabalho todos os dias no final da tarde. Eu ficava imaginanado o que poderia estar passando pela cabeça dele. O primeiro ano foi mais de explorar o lugar onde morávamos, nao fizemos muitas amizades. No segundo ano, tentei coloca-lo em uma escolinha dois dias na semana, mas nao deu certo… ele chorava muito e achei que ainda nao estava preparado para tal desafio. Comecamos a frequenar o Playgroup – um grupo de maes com filhos de 0 a 5 anos… Ali comecaram nossas primeiras amizades e contato direto do Arthur com o inglês. No ano seguinte, 2007, ele começou na pré-escola e aí sim ficou fluente no idioma.

Como você se sente (ou se sentiu) útil durante o período de expatriação? Que tipo de atividade você busca (ou buscava) para preencher seu tempo? Quando decidimos virar expatriados na Australia, coloquei minha família em primeiro plano. Vim disposta a cuidar de meu marido e filhos, participar integralmente da criaçao das criancas. Portanto, sempre me senti muito útil como mãe, esposa e dona de casa! Falta de atividades nunca foi meu problema. Aqui na Australia, parte da cultura local é a mãe ficar em casa até que as criancas atinjam idade escolar. Sem babás e sem empregada domésticas. Tenho planos de retomar minha carreira depois que as crianças estiverem todas na escola. Acredito que o primeiro passo será um mestrado em comunicacao, e depois emprego na área. No Brasil, percebemos que o profissional tem que crescer muito nos primeiros anos de carreira para garantir (e nem sempre acontece) empregabilidade no futuro. Percebemos que aqui na Australia o caso é diferente. Profissionais com 50 anos são bem quistos no mercado de trabalho justamente pela experiência que carregam.

Quais as pessoas que você mais se relaciona(va)? No primeiro ano, com duas famílias brasileiras (os maridos também trabalhavam na Electrolux). Mas eles se mudaram no início de 2006, então ficamos “sozinhos”.Aos poucos fomos fazendo amizades australianos, canadenses, chineses… gente de toda parte do mundo.

Você acredita que para um profissional que deixa sua carreira no Brasil para acompanhar seu esposo(a) durante a expatriação neste país onde você reside; é vantagem ou desvantagem? Pra mim, vantagem. Deixei minha carreira de jornalista no Brasil para ser mae na Australia. Deixei de trabalhar para os outros para trabalhar pra mim mesma!! Investindo todo meu tempo para a minha familia. Quer vantagem maior?? Mas sei que isto é muito pessoal. Se voce nao vier decidido, com um plano tracado, e disposto a se inserir na cultura local, pode nao ser vantajoso. Mudar para um outro país para passar os dias dentro de casa, o tempo todo na internet, assistindo novelas sem se desligar da vida no Brasil, pode ser uma grande perda de tempo…

Quais os serviços você considera que teriam sido, (ou foram) importantes para amenizar o choque cultural? Comente. Antes de me mudar para a Australia li muito sobre o pais, a cultura, sobre Orange, nossa nova cidade. Esta pesquisa me ajudou bastante na chegada…

Sobre o choque cultural… Se você pudesse dar um conselho para quem está indo para seu país sem prévias informações sobre a cultura, qual seria o conselho? Esteja aberto a novos desafios e livre-se do preconceito!

Gostaria de considerar alguma outra coisa? Sobre minha familia: Mario Vargas – marido, Arthur 5 anos, Eric 4 anos, e as gêmeas Olivia e Annabel 2 anos. A foto de familia foi tirada no inicio deste ano (2009).

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01/20/2010 - Posted by | Austrália

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