To Live Abroad

Esposas Expatriadas

* Por Graziele Zwielewski

 

Mesmo com excelentes executivas no mercado, ainda temos mais homens expatriados do que mulheres, aliás… me retratando: homens são os responsáveis pela expatriação, mas estes em sua maioria, casados, contam com o apoio de suas esposas, como no caso de Renata, que vive em Pattaya na Tailândia e será nossa principal entrevistada para este artigo. Ela nos conta que o motivo da expatriação foi uma oportunidade ímpar de ganhos financeiros e um “plus” na carreira profissional do marido. Decidiu acompanhá-lo porque identificou alguns ganhos para a família: “Aprender outra língua, fazer economias, conhecer novos povos e enriquecer culturalmente foram fatores determinantes para aceitarmos a transferência”.

Assim como a Renata, imaginar que será uma experiência de vida positiva, de amadurecimento; uma oportunidade para conhecer lugares e povos diferentes, são motivos para que a expectativa dessas mulheres seja grande com relação à nova vida; porém devido as burocracias da mudança, documentações, vacinas e autorizações, as mulheres na maioria das vezes, não tem tempo para colocar na balança os pontos positivos e negativos de ser expatriada. Renata nos conta que tiveram uma dificuldade inicial nas formas de se relacionar já que os valores e os costumes tailandeses são muito diferentes dos brasileiros. Para começar com o calendário… Quem for para Tailândia, será “transportado” para o ano 2.553; terá uma alimentação exótica e provavelmente comemorará o dia das mães, festejando o dia da Rainha. Comer no chão e ver bebês recém nascidos sendo carregados em lambretas de um lado para o outro, são também comportamentos que deixaram Renata em um estado de atenção ainda maior, para que não manifestasse algum comportamento inadequado. Ela nos conta que ao pedir por um CD de músicas típica da Tailândia em uma loja local, o vendedor entregou um CD de Bossa Nova e ela questionou: “Isso não é musica Brasileira?”. O vendedor virou-se de costas e saiu sem responder. Ela imaginou que ele voltaria com a resposta, mas ele não voltou.

Se já não bastassem essas barreiras culturais, ainda temos muitos pontos a considerar e entre eles a saudade que parece se tornar um sentimento parecido com o luto. Essa comparação é realista, pois as expatriadas perdem algumas coisas: a carreira muitas vezes fica em stand by; perdem a relação de proximidade com a família, perdem contatos, costumes, prazeres: por mais que os meios de comunicação estejam aproximando as pessoas, permitindo o estar perto mesmo estando tão longe… não tem como matar a saudade de comer farofa brasileira toda semana, conta Renata: “Saudade da família a gente mata com visitas anuais ao País de origem e com a internet no dia a dia; mas e a saudade da farofa??”. Perdemos a referência na nossa forma de comunicação: (sinais, placas, utilidade de produtos) “Já passei por uma situação onde precisava de coisas no supermercado, mas não sabia como pedir informação e nem mesmo falar o nome do produto na língua local.”, diz Marcela (Itália). Muitas expatriadas relatam ter passado por “saia justa” ao cumprimentar os estrangeiros com um beijo; a reação da maioria deles é de espanto e em alguns casos, paralisam com o susto. Além disso, deixamos pra trás amigos, perdemos o status social.

Renata, sempre percebida como uma pessoa muito otimista, alegre e positiva, consegue ver mais fatores favoráveis do que desfavoráveis à sua expatriação. Ela conta que a situação aproxima muito o casal que acaba tendo que contar um com o outro, tornando-se cúmplices em um número maior de situações. A família se sente mais próxima e com laços mais apertados. O número de amigos aumenta assim como a qualidade dos relacionamentos também.

Para aumentar as chances de a experiência ser positiva, aqui vão algumas dicas:

1 – Verifique se a empresa oferece visitas ao País de origem e qual a periodicidade;

2 – Faça uma viagem de familiarização para conhecer o local e se informar sobre os bairros, sobre costumes, alimentação e peça para o staff da empresa auxiliar no house hunting (busca por moradia);

3 – Assista a filmes que falam das diferenças culturais como “Albergue Espanhol; Julie e Julia; Entre dois Mundos”;

4 – Participe dos Treinamentos Interculturais;

5 – Os maridos geralmente entram em contato com a cultura local dentro do próprio ambiente de trabalho, que geralmente está preparado para recebê-lo; mas as esposas e filhos precisam mergulhar na nova cultura e buscar formas para se adaptarem. Claro que alguns cuidados são necessários, mas Renata sugere que as expatriadas não devem se esconder, nem se proteger em excesso num gueto. Afinal, “se você só se relacionar com iguais, do que vale sua vivência estrangeira? Tente ser independente, e se tiver filhos, aproveite este canal para se socializar ainda mais”.

6 – Respeite a cultura e a religião do país anfitrião;

7 – Antes de embarcar, ensine seus amigos e familiares mais próximos a usar a internet que é uma ferramenta para comunicação de baixo custo;

8 – Busque uma forma de se auto conhecer;

9 – Aprenda a língua local e a cultura, costumes, valores… caso contrário é como “ir a Roma e não ver o Papa”, brinca Renata.;

10 – Colecione amigos! Fazer amizades com pessoas de diferentes lugares e locais, garantem: aprendizado cultural, o cultivo de valores e a possibilidade de inserção em um grupo social mais diversificado. Mas é importante que esses grupos tenham valores parecidos e que as afinidades existam. Renata vivenciou isso e aconselha:Faça amigos por afinidade e não por nacionalidade”.

Dificuldades sempre existirão, mas essas dicas ajudam os futuros expatriados a verem a realidade de forma objetiva e realista, podendo então lidar melhor com suas emoções e pensar em alternativas diante de uma dificuldade. Indico para as futuras expatriadas, um livro “O que você e sua família precisam saber e ninguém vai contar”, da Sofia Karr, que trás dicas práticas e operacionais para evitar problemas com mudança, além de sites e endereços úteis; e o site da nossa entrevistada, que trás dicas para expatriadas e curiosidades sobre a Tailândia: www.umaesposaexpatriada.blogspot.com .

06/22/2010 Posted by | + ARTIGOS | 1 Comment