To Live Abroad

Visão Estratégica e Multidisciplinar formam o Negociador Internacional

 

Jornal Estado de Sao Paulo

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07/08/2010 Posted by | # ENTREVISTAS, Outras | Leave a comment

CHINA: Cultura e Negócios na visão de Roberto Dumas, representante do ITAU BBA

  Formado em Administração de Negócios pela FGV; Mestre em Economia pela Universidade de Birmingham na Inglaterra e Certificado de Máster em Economia Chinesa pela Fudan University; Roberto Dumas tem no seu currículo nada mais, nada menos do que sucesso em empresas como: Lloyds Banking Group; Citigroup e Itaú BBA. Foi professor de Macro Economia do MBA em Finanças pelo IBMEC; Professor visitante sobre Crise Financeira pela Fudan University e Professor Visitante da CEIBS – China Europe International Business School. Hoje, como atual representante do Banco Itaú BBA na China; conta sobre sua experiência profissional com a cultura e economia chinesa e nos dá sua opinião sobre oportunidades para Brasileiros na China.

Acompanhe na entrevista abaixo:

 

GZw: Qual eram seus planos profissionais antes de começar sua trajetória? Existia um plano de carreira traçado em direção à uma carreira internacional?

Roberto Dumas: Todo recém formado sonha com uma carreira internacional, mas no ano de 1988 não havia um plano de carreira detalhado onde estivesse evidente a minha passagem por essa experiência na China.

 

GZw: O primeiro país em que morou e trabalhou foi a China? Conte pra gente, algum erro, alguma “gafe” que você cometeu durante o contato com chineses?

Roberto Dumas: : Sim. A primeira “gafe” que cometi na China, nem foi tão grande assim, mas em um jantar de negocios perguntei a uma grande executiva de um banco Chinês, que estava grávida, se aquele era seu primeiro filho. Detalhe, a China ainda adota a política de “one child” apenas.

GZw: Alguma atitude tua ou da tua família chocou pessoas deste país devido a diferença cultural?

Roberto Dumas: Não

GZw: Quais as diferenças culturais entre Brasil e CHINA que podem se tornar empecilhos para a carreira de Brasileiros, caso não sejam respeitadas?

Roberto Dumas: Existem grandes diferenças culturais entre ambos paises. Ate 1976, pelo menos, a China era um Pais que pouco se importava com a privacidade dos outros. Alias era comum que vizinhos avisassem ao Governo atitudes diversas aquelas sugeridas pelo Partido Comunista Chinês. Esse traço de falta de respeito a privacidade continua de certa maneira ate hoje. Ou seja, é comum alguém lhe perguntar quanto é o seu salário, quanto você pagou pelo seu carro, etc. Nesse sentido, é importante que o expatriado entenda que essa “invasão de privacidade” não caracteriza maldade, mas resquícios de uma historia passada de alto controle por parte do governo e falta de privacidade.

Outro aspecto refere-se a confiança. Com base no confucionismo e na esfera de relevância de relacionamento: Família, amigos e colegas de trabalho, a confiança é de extrema importância. Os valores são maiores para a unidade familiar, circulo de amizades do que para o individuo em si. Uma vez estabelecido um elo de confiança com seu interlocutor, quebra-lo por algum motivo seria extremamente pernicioso para suas relações pessoais e profissionais. Tanto isso é verdade que, de certa maneira, a “palavra” vale muito mais do que o “contrato” em si.

GZw: Quais as diferenças culturais que precisam ser consideradas entre o Brasil e a CHINA, quando se pretende criar uma relação comercial?

Roberto Dumas: Relacionamento e conhecimento entre as partes em uma negociação comercial é importante em todo lugar do mundo. Não obstante, na China, o chamado “Guanxi” assume uma dimensão maior. O fato de você ter bons relacionamentos abre inúmeras portas em uma relação comercial. Isso deve-se justamente ao fato de que a figura “contratual” é de certa maneira uma novidade na China (não mais do que 35 anos), dessa forma, o bom conhecimento de pessoas chaves dentro de uma organização ou de um setor especifico lhe possibilita ganhar bastante escala na negociação.

Outro aspecto é a importância que os Chineses dão a “face”, ou seja você nunca deve fazer com que seu interlocutor comercial “perca a face” em um negociação, apontando erros na frente dos outros ou afetando negativamente sua imagem. É comum inclusive em momentos de negociação que o interlocutor “ofereça a face” a outra parte para que ela se sinta prestigiada. Ou seja, discussões comerciais acaloradas onde todos falam o que pensam do estilo americano ou Alemão, certamente não são adequadas na China. O pior disso é que para evitar “perder a face” com você, as vezes o “talvez, vamos analisar” signifique “não” e geralmente o interlocutor desavisado dessas diferenças culturais pode perder precioso tempo na negociação, mas a contra parte Chinesa entende que já tenha dado todas as indicações de que não existe interesse na relação comercial. Ou seja, é uma seara difícil de transitar.

GZw: O que os brasileiros podem aprender com os Chineses no que se refere a competências profissionais?

Roberto Dumas: Agilidade na implementação.

GZw: Qual a participação de mulheres no mercado profissional chinês?

Roberto Dumas: Não existe preconceito relevante neste sentido. A participação até mesmo em cargos de importância dentro do PCC, são ocupados por mulheres.

GZw: Que dicas você daria para um brasileiro que deseje se tornar um “Agente Conselheiro de Chineses” para investimentos aqui no Brasil? Uma pessoa que procure locais para investimentos, que procure parceiros de negócios…?

Roberto Dumas: A falta de conhecimentos básicos dos Chineses em relação ao Brasil ainda é muito grande. Comece sempre com informações básicas sobre economia, legislação de entrada de investimentos diretos, etc. O investidor Chinês não se assemelha ao investidor Europeu ou Americano que já tem um conhecimento prévio do Brasil. É importante que todos os aspectos básicos sejam informados. Para não “perder a face” geralmente o investidor Chinês pode não dizer que não entendeu ou recusar-se a fazer inúmeros questionamentos, uma vez que isso pode ser interpretado por eles como falta de conhecimento o que é vergonhoso “perde a face”. Essa imagem de despreparado e de falta de conhecimento dificilmente será passada por eles. Dessa forma, apresente informações básicas sobre o Pais, regulamentação, projeto, fluxo de caixa, tudo nos mínimos detalhes.

GZW: Você vê o Brasil como um país emergente? Acredita que o Brasil terá um dos maiores PIBs do Mundo nas próximas décadas?

Roberto Dumas: Sem duvida.

 GZw: Algumas reportagens mostram que o Brasil está numa fase de atratividade de investimentos estrangeiros. Falam até em “brasilmania”. Você indica que o profissional siga carreira no Brasil ou na China? Em que setores você enxerga maiores oportunidades de Carreira nesses países?

Roberto Dumas: Carreira na China ou no Brasil na realidade não importa tanto, mas é importante que o profissional conheça a situação atual da China. Não digo apenas sobre como fazer negócios, mas muito mais sobre sua economia e de que forma o seu crescimento é sustentado ou não e quais fatores influenciariam nesta avaliação.

Com a queda da demanda dos EUA e da Europa, subproduto da crise financeira de 2007, os Chineses estão ávidos por abrir novos mercados (América Latina e África), alem de garantir o acesso a matérias primas como minério de ferro, petróleo e produtos agrícolas. Certamente nos próximos anos veremos varias operações de fusões e aquisições de empresas chinesas comprando ativos brasileiros naqueles setores mencionados, alem de investimentos em logística que barateiem o escoamento das matérias primas para a China. Setores: Mineração, agribusiness, investment Banking com foco em Ásia seriam setores promissores.

 GZw: Quais os pontos vulneráveis da China que o Brasil deve explorar para crescer no mercado mundial?

Roberto Dumas: O interesse de diversificação de suas reservas internacionais em relação ao US Dólar, possibilita uma grande oportunidade ao Brasil em relação a venda de títulos públicos brasileiros e ações de primeira linha para o People’s Bank of China (Banco Central Chinês) e o China Investment Corporation (CIC – fundo soberano Chinês com US$200bn). Além, obviamente da necessidade da China em garantir seu acesso a matérias primas para continuar com seu crescimento econômico.

 GZw: Acredita que para isso seriam necessárias mudanças legislativas?

Roberto Dumas: : Não. Talvez do lado Chinês sim, de forma a possibilitar que o investidor privado Chinês também possa participar de fundos de papeis brasileiros. O governo Chinês já permite que investidores (retail) invistam em títulos do Reino Unido, de HK e dos EUA. Os investidores institucionais por sua vez (Qualified Domestic Institutional Investors) já estão autorizados a investir em papeis brasileiros.

GZw: Quais os principais interesses da China no Brasil?

Roberto Dumas: Acesso a novos mercados coma queda da demanda dos paises do G3 e garantir seu acesso a matérias primas (minério de ferro, soja e petróleo)

 GZw: Em 2010 a perspectiva é de que a China se torne a segunda potência econômica do mundo. Quais os setores estarão à frente desta conquista? Automobilística? Usinagem? Exportação de Tecnologia? Seguros?

Roberto Dumas: Automobilística

 GZw: Os bancos Brasileiros, assim como os Chineses, prometem crescimento para os próximos anos. Apostar na carreira em um banco chinês é uma escolha assertiva?

Roberto Dumas: Os bancos chineses estão ávidos em fazer parcerias ou contratar executivos das áreas de Risk Management e Credit research como forma de obterem melhor conhecimento de management.

 GZw: Hoje a China ainda é a maior emissora de gases causadores do efeito estufa. Como está o “esverdiamento” chinês e o que este processo tem criado de oportunidade de carreira?

Roberto Dumas: Oportunidade relacionada a negociação “trader” de Certified Emission Reductions (CER)

 GZw: A China é dona de uma das maiores reservas de carvão do mundo. Com a sustentabilidade como prioridade para o crescimento nos próximos anos, estão demolindo as usinas de carvão. O quanto isso será impactante na economia do país? Existe a probabilidade de que haja muito desemprego?

Roberto Dumas: O perigo do desemprego na China não esta relacionada a desativação de usinas de carvão, mas no fato de a China ter um modelo de crescimento capital intensive e não labour intensive. Ou seja, o PIB cresce, mas a geração de empregos esta cada vez menor. Um estudo do Banco Mundial mostra que nos últimos 5 anos, para cada 10% de crescimento do PIB Chinês, criou-se apenas 1% no nivel de emprego.

 GZw: Em uma década, como você projeta a valorização da moeda brasileira comparando com a valorização da Chinesa?

Roberto Dumas: O Brasil apresenta bons fundamentos e certamente passara a atrair cada vez mais investimentos externos, o que certamente eh uma base para o fortalecimento de sua moeda. No caso da moeda Chinesa, certamente devemos esperar uma apreciacao, principalmente que o desejo do governo chinês em balancear o modelo de crescimento economico chines, deixando de ser investment and export oriented para ser mais consumption oriented.

 GZw: Você pensa em voltar para o Brasil ou pretende continuar sua carreira internacional?

Roberto Dumas: Certamente a carreira internacional é muito rica em termos de conhecimento m relacao a novos paises, culturas, etc. Vamos avaliando.

 GZw: Qual a dica você daria para um profissional em início de carreira que pretende alcançar a carreira internacional?

Roberto Dumas: Deixar claro para sua organização o seu interesse em ter uma experiência no exterior como expatriado. Vale muito a pena, especialmente do outro lado do mundo.

GZw: Para quem quiser buscar informações sobre a China, você indica algum livro ou site?

Roberto Dumas: Vários. Basicamente em economia:

PAPERS

1. Is the Chinese Growth Miracle Built to Last?

Eswar Prasad (2007)

http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1012561

2. Modernizing China’s Growth Paradigm

Eswar Prasad and Raghuram G. Rajan (2006)

http://ideas.repec.org/p/iza/izadps/dp2248.html

http://www.imf.org/external/pubs/ft/pdp/2006/pdp03.pdf

3. Putting the Cart Before the Horse? Capital Account Liberalization and Exchange Rate Flexibility in China 

Eswar Prasad, Thomas Rumbaugh and Qing Wang (2005)

http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=701273

4. China‘s Rebalancing Act

Jahangir Aziz and Steven Dunaway (2007)

http://www.imf.org/EXTERNAL/PUBS/FT/FANDD/2007/09/aziz.htm

5. Rebalancing China’s Economy : Modeling a Policy PackageJianwu He and Louis Kuijs (2007)

http://www.worldbank.org.cn/english/content/working_paper7.pdf

6. How wil China’s Saving-Investment Balance Evolve?

Louis Kuijs (2006)

http://www-wds.worldbank.org/servlet/WDSContentServer/WDSP/IB/2006/06/28/000016406_20060628102757/Rendered/PDF/wps3958.pdf

7. Explaining China’s Low Consumption: The Neglected Role of Household Income

Jahangir Aziz and Li Cui (2007)

http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2007/wp07181.pdf

8. China: Toward a Consumption-Driven Growth Path

Nicholas Lardy (2006)

http://www.petersoninstitute.org/publications/pb/pb06-6.pdf

9. Modelo de Crescimento Econômico Chinês

Roberto Dumas Damas (2008) – CEBC

http://www.cebc.org.br/sites/500/521/00001156.pdf

 

9. Mudanças na Política Econômica Chinesa

Roberto Dumas Damas (2008) – CEBC

http://www.cebc.org.br/sites/500/521/00001134.pdf

 BOOKS

  1. 1.       Debating China’s Exchange Rate Policy

Morris Goldstein and Nicholas Lardy (2008)

http://bookstore.petersoninstitute.org/book-store/4150.html

2. China: The Balance Sheet: What the World Needs to Know Now About the Emerging Superpower (Institute International Econom)

C. Fred Bergsten, Bates Gill, Nicholas R. Lardy and Derek Mitchell (2006)

http://www.amazon.com/China-Emerging-Superpower-Institute-International/dp/1586484354

3. Understanding and Interpreting Chinese Economic Reform

Jinglian Wu (2005)

http://www.amazon.com/Understanding-Interpreting-Chinese-Economic-Reform/dp/1587991977

4. The Chinese Economy: Transitions and Growth (great book!!!)

Barry Naughton (2006)

http://www.amazon.com/Chinese-Economy-Transitions-Growth/dp/0262640643

5. China‘s Rise: Challenges and Opportunities
C. Fred Bergsten, Charles Freeman, Nicholas R. Lardy and Derek J. Mitchell (2008)

http://bookstore.petersoninstitute.org/book-store/4174.html

6. Banking in China

Volaine Cousin (2007)

http://www.amazon.com/Banking-Palgrave-Macmillan-Financial-Institutions/dp/0230006957

/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1232273619&sr=1-1

7. China into the Future Making Sense of the World’s Most Dynamic Economy

Edited by John Hoffmann and Michael J. Enright (2008)

http://www.amazon.com/China-Into-Future-Dynamic-Economy/dp/0470822449

 

8. Phantom of the China Economic Threat – Shadow of the Next Asian Crisis

Chi Lo (2007)

http://www.amazon.com/Phantom-China-Economic-Threat-Shadow/dp/1403987882

 

9. A China de Deng Xiaoping – o Homem que Pôs a China na Cena do Século XXI

Michael E. Marti (2006)

www.americanas.com.br/AcomProd/1472/705675 – 48k

 

10. The Visible Hand of China in Latin America

Edited by Javier Santiso

http://www.amazon.com/Visible-America-Development-Centre-Studies/dp/9264027963

11. Capitalism with Chinese Characteristics: Entrepreneurship and the State
Yasheng Huang (2008)
http://www.amazon.com/Capitalism-Chinese-Characteristics-Entrepreneurship-State/dp/0521898102

12. The Emergence of China: Opportunities and Challenges for Latin America and the Caribbean

*David Rockefeller/Inter-American Development Bank (2003)

http://ctrc.sice.oas.org/geograph/caribbean/China_idb.pdf

13. The Future of China’s Exchange Rate Policy

Morris Goldstein and Nicholas R. Lardy

Peterson Institute for International Economics (July/2009)

http://bookstore.piie.com/book-store/4167.html

05/04/2010 Posted by | # ENTREVISTAS, China | Comments Off on CHINA: Cultura e Negócios na visão de Roberto Dumas, representante do ITAU BBA

Arábia Saudita e a Carreira Internacional de Pedro Bottesi Neto

*Por Graziele Zwielewski

Sabemos que Carreira Internacional é o desejo de alguns profissionais. Muitos acham facilmente os caminhos, outros definem passos para conquistá-la. Mas todos abrem mão de algum benefício da carreira nacional, em prol da internacional. No caso de Pedro Bottesi Neto, que tem no currículo empresas como International Paper, ECC International; Imerys; Netzsch AKW e Samsung; precisou passar 1 ano e 7 meses na Inglaterra para então assumir a atual posição de Diretor de Desenvolvimento de Negócios na Ma’aden Saudi Arabian Mining.

Do que ele abriu mão? De estar diariamente com a família…

Além de falar sobre sua trajetória, Pedro dá dicas para brasileiros que pretendem fazer carreira internacional e menciona as áreas em ascensão na Arábia Saudita (um país onde a diferença cultural é gritante). Acompanhe na entrevista abaixo:

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01/29/2010 Posted by | # ENTREVISTAS, Arábia Saudita | 1 Comment

Na CHINA, como os Chineses

Roberto Dumas, Diretor do ITAU BBA na China em entrevista…

Confira

01/25/2010 Posted by | # ENTREVISTAS, China | Leave a comment

Uma esposa na Austrália

Nome: Juliana Gomes da Cunha

Filhos? Sim    Quantos? 4

Em quais países você já morou? Brasil, Australia

Quanto tempo na Austrália? 4 anos e 8 meses

Motivo da mudança: Trabalho. Meu marido é engenheiro da Electrolux, empresa líder mundial em eletrodomésticos. Ele trabalhava na planta de Curitiba e foi transferido para a planta de Orange, no estado de New South Wales, na Australia.

Qual o fator determinante pra você (ou para a família) aceitar(em) a transferência internacional? Crescimento profissional e pessoal. Sempre gostamos muito de viajar e conhecer novas culturas.

De quem você recebeu auxiliou durante a mudança?

– Recepção no país: Da empresa e de brasileiros que já trabalhavam na Electrolux.

– Busca de bairro para moradia: brasileiros

– Busca de escola ou cursos: Não precisamos…

– Inserção em redes sociais (clubes, grupos de brasileiros,…): Fizemos amizade com os brasileiros mas não participamos de nenhum grupo organizado. A vizinhança semrpe foi muito receptiva.

De zero à dez (0-10), quanto você acredita que precisou abrir mão de tudo que lhe é conhecido para entrar em um mundo com novas representações e novos significados? 8

Quais os fatores interculturais abaixo mais estressantes para os menos para você? Serviço de saúde / Falta de relaçoes sociais / Alimentaçao / fuso horario / informalidade nas relacoes / formas de se relacionar / idioma / diferenca de pontualidade

Relate uma ou mais diferenças entre o Brasil e o país onde você está morando, que em um deles é considerado normal e no outro não: Aqui na Australia as pessoas nao sao tao ligadas na aparencia como no Brasil. Isso me chamou bastante a atencao no inicio. Talvez seja uma caracteristica do interior… nao sei. Vemos com frequencia criancas e adultos andando descalcos na rua, nos supermercados… e nao é porque eles nao condicoes de comprar sapatos!! Na minha opiniao, os australianos sao mais “relaxados” que os brasileiros… tanto na questao da vaidade quanto no jeito mais tranquilo de viver a vida.

Alguma diferença cultural entre o Brasil e o país onde você mora, que te chocou? Nao consigo pensar em nenhuma grande diferenca cultural…

Alguma atitude tua, chocou outras pessoas deste país? Acredito e espero que nao (risos)

Alguma festa comemorativa é festejada de forma diferente dos costumes brasileiros? Quais? Na pascoa, em algumas escolas, eles fazem um “Hat Parade”, um desfile com chapéu decorado pelas proprias criancas. Eles enfeitam com ovinhos, coelhos, pintinhos, qlqer coisa relacionada a Pascoa. Nao me lembro de ter visto isto no Brasil… No natal, eles abrem os presentes na manhã do dia 25 e nao na vespera como no Brasil.

Como você lidou com as festas de fim de ano longe da sua família no Brasil? Nos dois anos que passamos o Natal na Australia, tivemos a sorte de ter conosco minha mae em 2005, e meu pai e minha mae em 2007 (coincidindo com o nascimento de nossos filhos no final do ano). É realmente uma experiência BEM diferente… Como estamos distantes de todos os amigos e familiares, parece que nao entramos bem no “clima”. Mas nao deixamos de festejar e de curtir esta época. Mostramos para as criancas as diferencas de como celebramos no Brasil e aqui. A tecnologia tambem nos permite um contato maior com a familia distante via internet – conversa por voz e camera.

Em algum momento você se sentiu desconfortável, como um “peixe fora d’água”? Acredito que o primeiro ano morando fora e o comeco do segundo foi o periodo mais dificil para mim. Nao cheguei a me sentir um peixe fora d’água porque sempre me senti bem acolhida na Australia, mas me senti sozinha. Tive que me esforcar para fazer novos amigos. Tinha como obrigacao sair de casa, participar do Playgroup com as criancas…. E aos poucos, fomos criando um circulo de amizade muito bacana. Ali percebemos o quanto valeu a pena todo o sacrificio do comeco.

Do que você mais sentiu ou sente falta, que no Brasil você tem? Ah… a familia e os amigos sempre fazem muita falta. Algumas comidinhas tambem, mas isso da pra segurar até a proxima visita hehe As vezes bate saudade do cheiro da nossa terra molhada, da brisa do mar de Sambaqui… mas temos todas as boas lembranças bem guardadas num lugar especial. O que dói mesmo é saudade de pai, mãe, irmãos.

Qual o papel você acredita que a família tem, em casos de não adaptação cultural? No que você acha que a família pode auxiliar? Tenho certeza que a minha familia – marido e filhos – foi a peça fundamental para fazer esta experiencia dar certo. Pensando neles, insisti nas dificuldades e superei os desafios.

No que a experiência de ser expatriado, contribuiu pra você? Um crescimento interior muito grande. Aprendi que tenho condicoes de comecar do zero, fazer parte de uma sociedade que antes nao significava nada para mim. Fortaleci meu casamento e criei raízes ( e filhos, quatro!!!)

Relate algumas situações onde seus filhos passaram por dificuldades com relação à adaptação cultural: Quando nos mudamos em 2005  para a Australia, o Arthur – nosso filho mais velho –  tinha 1 ano e 5 meses. Eu estava grávida de nosso segundo filho, Eric, que nasceu em outubro daquele ano. Para o Arthur, sair de casa, do convívio com a família, para morar num lugar diferente, com gente falando uma língua difrente, foi bastante difícil. Lembro que ele ficava olhando pela janela, aguardando o papai chegar do trabalho todos os dias no final da tarde. Eu ficava imaginanado o que poderia estar passando pela cabeça dele. O primeiro ano foi mais de explorar o lugar onde morávamos, nao fizemos muitas amizades. No segundo ano, tentei coloca-lo em uma escolinha dois dias na semana, mas nao deu certo… ele chorava muito e achei que ainda nao estava preparado para tal desafio. Comecamos a frequenar o Playgroup – um grupo de maes com filhos de 0 a 5 anos… Ali comecaram nossas primeiras amizades e contato direto do Arthur com o inglês. No ano seguinte, 2007, ele começou na pré-escola e aí sim ficou fluente no idioma.

Como você se sente (ou se sentiu) útil durante o período de expatriação? Que tipo de atividade você busca (ou buscava) para preencher seu tempo? Quando decidimos virar expatriados na Australia, coloquei minha família em primeiro plano. Vim disposta a cuidar de meu marido e filhos, participar integralmente da criaçao das criancas. Portanto, sempre me senti muito útil como mãe, esposa e dona de casa! Falta de atividades nunca foi meu problema. Aqui na Australia, parte da cultura local é a mãe ficar em casa até que as criancas atinjam idade escolar. Sem babás e sem empregada domésticas. Tenho planos de retomar minha carreira depois que as crianças estiverem todas na escola. Acredito que o primeiro passo será um mestrado em comunicacao, e depois emprego na área. No Brasil, percebemos que o profissional tem que crescer muito nos primeiros anos de carreira para garantir (e nem sempre acontece) empregabilidade no futuro. Percebemos que aqui na Australia o caso é diferente. Profissionais com 50 anos são bem quistos no mercado de trabalho justamente pela experiência que carregam.

Quais as pessoas que você mais se relaciona(va)? No primeiro ano, com duas famílias brasileiras (os maridos também trabalhavam na Electrolux). Mas eles se mudaram no início de 2006, então ficamos “sozinhos”.Aos poucos fomos fazendo amizades australianos, canadenses, chineses… gente de toda parte do mundo.

Você acredita que para um profissional que deixa sua carreira no Brasil para acompanhar seu esposo(a) durante a expatriação neste país onde você reside; é vantagem ou desvantagem? Pra mim, vantagem. Deixei minha carreira de jornalista no Brasil para ser mae na Australia. Deixei de trabalhar para os outros para trabalhar pra mim mesma!! Investindo todo meu tempo para a minha familia. Quer vantagem maior?? Mas sei que isto é muito pessoal. Se voce nao vier decidido, com um plano tracado, e disposto a se inserir na cultura local, pode nao ser vantajoso. Mudar para um outro país para passar os dias dentro de casa, o tempo todo na internet, assistindo novelas sem se desligar da vida no Brasil, pode ser uma grande perda de tempo…

Quais os serviços você considera que teriam sido, (ou foram) importantes para amenizar o choque cultural? Comente. Antes de me mudar para a Australia li muito sobre o pais, a cultura, sobre Orange, nossa nova cidade. Esta pesquisa me ajudou bastante na chegada…

Sobre o choque cultural… Se você pudesse dar um conselho para quem está indo para seu país sem prévias informações sobre a cultura, qual seria o conselho? Esteja aberto a novos desafios e livre-se do preconceito!

Gostaria de considerar alguma outra coisa? Sobre minha familia: Mario Vargas – marido, Arthur 5 anos, Eric 4 anos, e as gêmeas Olivia e Annabel 2 anos. A foto de familia foi tirada no inicio deste ano (2009).

01/20/2010 Posted by | Austrália | Leave a comment

# Na Irlanda, o Início de uma Carreira Internacional

Eduardo Giansante tinha um sonho antigo, ele queria ter uma vivencia internacional, ele pensava em uma mudança “permanente” para o exterior. Conforme ele, foi só uma questão de organização financeira para conseguir realizar seu sonho e investir em si mesmo. Atualmente na Irlanda, ele conta um pouco sobre a sua aventura e experiência profissional.

De quem você recebeu auxiliou durante a mudança?

– Recepção no país: Fiquei 2 semanas em Host Family, e depois aluguei um quarto para morar.

– Busca de bairro para moradia: Ninguém, apenas buscando em classificados.

– Busca de escolha ou cursos: Ninguém, foram pesquisas no google e busca por feedbacks

– Inserção em redes sociais (clubes, grupos de brasileiros,…): Dentre os usuários do Orkut na comunidade Brasileiros na Irlanda, poucos levaram a ajuda a sério. Mas foram esses poucos que me auxiliaram e tiraram muitas dúvidas.

Quais os fatores culturais mais estressantes pra você?

Inicialmente: formas de se relacionar, alimentacao, relacoes sociais, idioma, informalidade nas relacoes.Atualmente: relacionamentos, pontualidade, valores (para bens físicos).

Houve alguma situação em que você se sentiu confuso ao interpretar alguma informação no país onde está morando?

Sim, algumas vezes, principalmente em relacionamentos. Talvez pela falta de vocabulário, no inicio usamos termos que sao “rudes” para nativos, e isso gerava uma interpretacao errada por parte deles (por exemplo, ao atender o telefone, jamais pergunte “who is talking?” soa como um bicho das cavernas! Rs). Do ponto de vista dos Irlandeses, nao tive nenhum problema. Ja tive com koreanos, pois na ásia nao existe “ironia”, ou seja, nossas piadas sao um fracasso e podem realmente magoa-los, pois eles levam a sério.

Relate uma ou mais diferenças entre o Brasil e o país onde você está morando, que em um deles é considerado normal e no outro não.

– É normal beberem até cair, diferente do brasil, onde a bebida é “apreciada” (e são poucos que realmente caem,  a maioria fica no estado “alegre”)

– Eles nao gostam/tem nojo de coracao de frango (alguns que consegui convencer a provarem adoraram!)

– Na empresa onde trabalho, eles ainda nao entendem porque eu escovo os dentes todos os dias depois do almoco, é algo “muito disciplinado” pra um jovem.

– Nas casas nao tem ralos, e nos banheiros nao tem tomada/interruptor (fica do lado de fora) pelo risco de acidente. Eles ficam assustados de saber que mulheres secam o cabelo no banheiro (teoricamente é muito perigoso)

Mais curiosidades/diferencas estao no E-Dublin http://www.e-dublin.com.br/?tag=voce-sabia e http://www.e-dublin.com.br/tag/curiosidades

– Outra diferenca é o clima, claro. Na Irlanda chove uma média de 270 dias por ano, e o clima é 90-100% humido (em SP por exemplo, fica no máximo em 75%).

Alguma diferença cultural entre o Brasil e o país onde você mora, que te chocou?

Nada que me chocou. Quando se muda pra outro país é esperado ter diferencas. Além das citadas acima, muitas coisas se relacionam a detalhes do cotidiano, mas nao sao “chocantes”. Por exemplo: café da manha irlandes é: bacon, ovos fritos e salsicha. É extremamente gorduroso e pesado. Eles também comem pao com feijao no molho de tomate adocicado, o que eu acho terrível. Porém outras coisas quando acostumamos tornam-se normais: Chá com leite (e sem acucar, claro) por exemplo.

Alguma atitude tua, chocou outras pessoas deste país?

– Escovar os dentes todos os dias depois do almoco

– Cozinhar toda  noite, mesmo chegando cansado do trabalho (minha flatmate, irlandesa, diz: “como pode? Voce tem muito pique” – sendo que faco cosias simples como arroz, feijao, macarrao, etc)

– Nao pedir desculpa ao espirrar

Alguma festa comemorativa é festejada de forma diferente dos costumes brasileiros? Quais?

– Sim, a festa de “15 anos” no Brasil aqui é de 21 anos. É a festa mais “punk” que eles tem, vale tudo.

– Halloween é altamente celebrado aqui, pois foi aqui que nasceu http://www.e-dublin.com.br/2009/10/voce-sabia-halloween-e-coisa-de-irlandes.html

Como você lidou com as festas de fim de ano longe da sua família no Brasil?

– Nunca fui um grande apegado a festas familiares. Já havia passado Natal sozinho no Brasil pois travalhava no suporte técnico na época (fiz plantao). Aqui voce cria outros valores, e passa a admirar e se dedicar a detalhes que nunca fazia no Brasil. No Natal passado fizemos peru, tivemos amigo secreto, demos risada, fizemos tudo que tinha no Brasil. Esse ano nao vai ser diferente. Talvez a maior diferenca seja a neve x o calor do Brasil

Em algum momento você se sentiu desconfortável, como um “peixe fora d’água”?

Sim. Era verao, estava trabalhando ate um pouco mais tarde no escritorio, e quando eram umas 7 e pouco da noite eu queria muito sair pra tomar uma cervejinha (famoso happy hour), mas era uma quinta-feira. Chamei todos da empresa, nenhum deles sequer levantou a possibilidade de ir. Foi o dia que mais senti falta do clima brasileiro. Mas passou.

Sentiu algum tipo de preconceito contra você ou contra algum membro da sua família?

Nunca. Pelo contrário, brasileiros (ainda) sao muito admirados pelo otimismo, boa vontade, pele macia (sim!) e por eles serem tambem amantes do futebol.

Em algum momento sentiu vontade de voltar para o Brasil, devido a diferença cultural? Por quê?

Nao. Ja passei férias no Brasil (15 dias) na época do carnaval, e depois do fim do carnaval, quando todos voltaram a rotina, fiquei mal, queria voltar pra cá (Irlanda) o mais rapido possivel.

Em algum momento você sentiu que devido a cultura local, você teria que abrir mão de um valor pessoal? Relate a situação. Nunca abri mao dos meus valores, existe muito respeito por isso aqui. Acontece de voce sair com um grupo de estrangeiros e acabar seguindo o grupo pra nao contrariar, mas nada absurdo.

Do que você mais sentiu ou sente falta, que no Brasil você tem?

Amigos sao amigos sempre, famiilia tambem. Mas nao é saudade de voltar, é apenas admiracao por eles e alegria em saber que estao bem.

Clima faz falta quando estamos no inverno e escurece as 4 da tarde.

Alimentacao: a unica coisa que vou sempre sentir falta é do acaí.

No que a experiência de ser expatriado, contribuiu pra você?

Muito. Aprender a lidar com dificuldades, morar sozinho, valorizar pequenas coisas que temos no Brasil, aprender a compreender e respeitar diferentes valores e culturas, fazer amigos de todo lugar do mundo, descrobrir que somos todos seres humanos, nao importa onde estamos.

Essas e outras experiencias tambem estao aqui: http://www.e-dublin.com.br/category/reflexoes

Sobre o choque cultural… Se você pudesse dar um conselho para quem está indo para seu país sem prévias informações sobre a cultura, qual seria o conselho?

Se voce quer uma imersao cultural, esteja aberto a aceitar mudancas. Nao adianta mudar de país e viver em uma “ilha” de brasileiros.

Que tipo de apoio você sentiu falta?

Quando viemos nao existia um E-Dublin, mas acredito que hoje, nao só o e-dublin, mas outras pessoas influenciadas criaram seus blogs e outras ferramentas pra auxiliar quem vem. O proprio e-dublin groups que tem mais de 540 membros, tem auxilio de todos. É quase como uma retribuicao de quem recebeu ajuda para com os que ainda estao com duvidas.

Gostaria de considerar alguma outra coisa?

Experiencia no exterior é algo impagável. É algo que jamais vai se ter no Brasil. Falar ingles por necessidade é completamente diferente de fazer aulas. Criar seu proprio espaco e vangloriar suas proprias conquistas em paises “desconhecidos” sao fatores que te fazer crescer e te motivam a ficar.

Onde podemos encontrar mais informações sobre o país onde você está morando ou morou?

E-Dublin

01/20/2010 Posted by | Irlanda | 5 Comments

# X! Entrevista. Expatriação, festas de fim de ano e saudade.

* Por Carmem Galbes – expatriadas.com

Olá, X!
Árvore de natal, Papai Noel, presentes, panetone, peru, caça à vaga no estacionamento do shopping…é 2009 indo embora!
Preparada para as festas? Que delícia!
Mas tem expatriada que não consegue lidar bem com esse período. Saudade da família, dos amigos, do tempero, da comilança…
Para amenizar esse aperto que algumas sentem, nada como uma boa conversa.
A psicóloga Graziele Zwielewski, especialista em gestão internacional, fala sobre a angústia comum nessa época, lembra da importância de não deixar a peteca cair, principalmente em casa que tem filhos, e sugere algumas atitudes para fazer do fim do ano a festa que sempre foi.
Então prepare o espírito e aproveite o papo!

XAs festas de fim de ano podem ser uma fase ainda mais difícil, principalmente para as crianças acostumadas a viver as comemorações perto de tios, primos, avós…Como minimizar a saudade nesse período?
Graziele – Saudade pode doer mesmo em dias comuns, mas sem dúvida a intensidade aumenta em datas comemorativas. Talvez os adultos sofram mais com a distância do que as crianças, porque, até pouco tempo atrás, a chamada família estendida tinha forte influência na vida dos filhos, sobrinhos, netos, primos. Hoje essa presença – mesmo que os parentes vivam na mesma cidade – já não é tão constante. Além disso, a “cara” da família nuclear vem mudando. Por causa do divórcio, hoje é comum – não que seja mais, ou menos, dolorido – a criança ter de dividir a companhia das pessoas queridas, passar o natal com a mãe e o ano novo com o pai, por exemplo.
Mas voltando ao nosso tema, à família expatriada, saliento duas regrinhas básicas para diminuir a dor da distância nesse período de festas: comemorar sempre, não importa se entre muitas ou poucas pessoas, e cultivar amizades.
Se os pais vivem a distância dos parentes de forma negativa, se lamentando pela saudade e tristes, ensinarão aos filhos distorções sobre datas importantes. Assim, o natal – que é sinônimo de alegria e paz – será aprendido pelas crianças como uma data que traz sentimentos desconfortáveis.

Por outro lado, se os pais aproveitarem para se unir, para ensinar os valores do natal, e as diferentes formas de comemoração, encorajam a criança a enxergar o aspecto positivo desse dia e a criar, de forma saudável, a sua história com essa festa.
Vale lembrar que é de extrema importância para o desenvolvimento da criança que o vínculo familiar não seja rompido. E essa é uma tarefa que os pais tem de assumir com seriedade. A criança precisa saber das suas raízes e se sentir membro de uma família, independente dos laços sanguíneos.
A tecnologia permite o contato em praticamente qualquer lugar do mundo. Por que não rever fotos e reunir os queridos em frente ao computador para uma calorosa reunião online?
X – Qual a importância de se preservar as tradições familiares e culturais, mesmo à distância?
Graziele – A tradição é a raiz e a origem. Desvalorizar, ou não dar continuidade à cultura de origem, é tirar o significado da própria história.

X A família expatriada deve dar mais atenção às tradições locais, à própria cultura ou deve buscar uma mistura das duas?
Graziele – Vamos esclarecer algo: é importante que os pais preservem em casa a cultura de origem, com seus gostos, cheiros, regras…porque esses são alguns dos alicerces no processo de construção moral e intelectual da criança. Porém forçar alguém a seguir costumes e valores de determinada nacionalidade quando se está inserido em outra tradição é querer viver fora de contexto.
Os pais precisam lembrar que eles já estão com caráter e personalidade formados, apesar de suscetíveis à mudanças, e que a criança, para ser aceita, precisa – muitas vezes – se comportar e “ser” como os amigos. Ela não gosta de se sentir diferente.

Resgatar as tradições de origem e, ao mesmo tempo, experimentar os costumes locais pode ser um ótimo exercício sobre como lidar – de forma saudável – com o que nos parece estranho. Isso abre horizontes, permite comparações e dá ao expatriado – seja lá de qual idade – a chance de quebrar preconceitos e de eleger as tradições que aprecia.
Isso me faz lembrar de um casal de amigos que vive com a filha de 5 anos em Portugal. A família faz questão de passar as festas de fim de ano com portugueses, comendo bacalhau e esperando o “pai natal”, enquanto os avós aguardam na webcam para desejar feliz natal. Esse tipo de atitude demonstra respeito pelas raízes da família e aceitação da cultura anfitriã, o que ajuda – e muito – na adaptação.

X – Em novembro a cena já é essa: presépios, presentes, papai Noel, árvore de Natal. Como entrar no clima em um ambiente em que o cenário de fim de ano não tem nada de natalino?
Graziele – O Brasil é predominantemente Cristão. As tradições natalinas – inclusive as comerciais – são muito arraigadas aqui. O clima de Natal é – sem dúvida – maravilhoso. Mas é interessante perceber que estar longe de tudo isso pode ser uma ótima oportunidade para lembrar que o natal não é vivido somente em frente às vitrines, luzes e decorações maravilhosas. O Natal é um resgate de valores que podem e devem ser repassados para as crianças dentro de casa, inseridos em uma cultura diferente ou não.

X – Como deve ser a conversa com as crianças sobre as diferentes tradições?
Graziele – Se pararmos para pensar, em todos os lugares encontramos pessoas diferentes, mesmo quando não enxergamos essas diferenças. Nordestinos são diferentes de paulistas, que são diferentes de gaúchos, que são diferentes de mineiros…

Quando estamos em um outro país o choque é, claro, maior. Não podemos desprezar o diferente onde o diferente somos nós… é preciso traduzir para nossas crianças o que está se passando. Mas nem sempre os pais conseguem lidar de forma tão assertiva. Viver e instalar-se em outro país não é fácil. Pode ser frustrante, estressante, dolorido… Na maioria dos casos o mal estar vem justamente da falta das nossas redes sociais. Uma alternativa para esses casos é procurar ajuda. A psicoterapia, por exemplo, pode favorecer a criação de um espaço para que os pais falem de suas frustrações, insatisfações, angústias…Trabalhando essas questões, pode-se entender melhor a realidade e, assim, colaborar para que a experiência intercultural dos filhos seja mais positiva.

01/19/2010 Posted by | Outras | Leave a comment

# Relatos Interculturais do Country Manager da SKF Canadá (Entrevista)

*Por Graziele Zwielewski

João Luis Sandoval Ricciarelli é um executivo de carreira internacional que tem no seu currículo uma bagagem intercultural invejável. Diz que depois de ter  negociado com mais de 42 países e ter assumido posições diferentes e ter sido expatriado para 3 países (além do próprio Brasil), nada mais lhe assusta. Ele foi Diretor da ABB Company, Vice President da SKF Reliability Systems, CEO da SEMCO Manutenção Volante, RS Europe Área Director da SKF, Key Account Director SKF na Europa – UK  e por fim assumiu a posição de Country Manager na SKF Canadá, onde mora atualmente com a esposa e duas filhas (uma de 15 e outra de 2 anos). João conta pra gente, um pouco sobre suas dificuldades que encontrou e competências que desenvolveu em lidar com as diferenças culturais ao longo da sua carreira. Confira na entrevista abaixo.

Qual o fator determinante pra você e sua família aceitarem a transferência internacional?

Ricciarelli: Além do Canadá ser considerado como um país importante para a SKF, um forte determinante foi a oportunidade profissional como Country Manager em um país importante para minha empresa. Pensando na minha família, o Canadá seria uma boa opção já que lá posso encontrar uma boa educação e segurança. Obviamente o lado financeiro também foi muito importante para facilitar a mudança.

De quem você recebeu auxiliou durante a mudança com recepção no país, busca de bairros para moradia, busca de escolas e cursos, inserção em redes sociais…?

Ricciarelli: Tudo foi providenciado pela SKF, minha empresa contratou serviços de uma empresa de Relocation para nos dar suporte.

De zero à dez (0-10), quanto você acredita que precisou abrir mão de tudo que lhe é conhecido para entrar em um mundo com novas representações e novos significados?

Ricciarelli: Seis

Quais foram os fatores interculturais mais estressantes pra você?

Ricciarelli: A forma de se relacionar com as pessoas da outra cultura; os serviços de saúde; a falta de relações sociais; informalidade nas relações; a alimentação; idioma; diferença de fusos (nesta ordem).

Houve alguma situação em que você se sentiu confuso ao interpretar alguma informação no país onde está morando?

Ricciarelli: Em cada país existem algumas particularidades que acabam sempre atrapalhando mesmo os mais experientes. Particularmente eu esperava que viver no Canadá seria muito parecido com os Estados Unidos, em termos de usos e costumes, mas encontrei um país que tenta manter sua própria identidade a todo custo. As diferenças existentes dentro do próprio país também são sempre confusas, por exemplo, existem diferenças na lei de trânsito quando você dirige na província de Quebec por exemplo.

Você se lembra de uma ou mais diferenças entre o Brasil e o país onde você está morando, que em um deles é considerado normal e no outro não?

Ricciarelli: Sim, me lembro. Ao entrevistar candidatos para algum cargo, eu normalmente pergunto a idade da pessoa, o que no Canadá não é bem aceito. Outra grande diferença entre o Brasil e o Canadá, está relacionada a maneira de se fazer negócio entre empresas. Eu nunca perdi negócios, mas quando estamos negociando, se concordamos verbalmente, vale tanto quanto colocar em um contrato. Dar sua “palavra” vale muito por aqui, e as conseqüências em não manter podem ser muito ruins.

A outra grande diferença que pude verificar foi ao comprar minha casa. Não se conhece o dono da casa que estamos negociando, trocamos inúmeras correspondências com o “Real State agent” e depois quando chegamos ao valor, os advogados de cada parte fecham a negociação sem a sua presença. Outra diferença muito grande é o sistema bancário. Aqui para conseguir um cartão de crédito é muito difícil. Para te deixar nervoso mesmo, uma vez que eles pedem que vc tenha uma conta de água ou luz para conseguir o cartão, e o pessoal pede um número de cartão para você ter água e luz instalada. O que vem primeiro a galinha ou o ovo?

Alguma diferença cultural entre o Brasil e o país onde você mora, que te chocou?

Ricciarelli: Sendo sincero, este é o meu terceiro país, fora o Brasil. Tive a oportunidade de visitar, fazer negócios em outros 42 países, portanto NADA pode me chocar. Às vezes as pessoas podem estranhar a diversidade étnica existente aqui no Canadá. Principalmente na cidade em que moramos, a quantidade de chineses impressiona. Invariavelmente você recebe panfletos comerciais com promoções em chinês. O brasileiro está acostumado em diversidade de raça , mas não com essa diversidade cultural.

Alguma atitude tua, chocou outras pessoas deste país?

Ricciarelli: O Canadense, em termos de gestão de negócios é mais tranqüilo. Aqui não se tem o senso de urgência que aprendemos a viver no Brasil. Onde trabalho, meu pessoal esperava lidar com um gestor mais tranqüilo, sem tanta agressividade. Trabalho cerca de 10 a 12 horas por dia, o que também gera um certo problema por aqui, onde as pessoas trabalham o famoso “9 to 5”

Em algum momento você se sentiu desconfortável, como um “peixe fora d’água”?

Ricciarelli: O começo é sempre difícil, você passa a maior parte do tempo sozinho. Na mudança para o Canadá, eu deixei minha família na Inglaterra para que minha filha mais velha terminasse o ano letivo, depois eles mudaram. Foram seis meses (durante o inverno) muito difíceis. Mudar para um país novo, temperaturas ao redor de -20C todos os dias, depressão ataca mesmo que você não queira. Por incrível que possa parecer, nossa maior dificuldade foi quando voltamos ao Brasil em 2004 por um período de 9 meses.

Em algum momento sentiu vontade de voltar para o Brasil, devido a diferença cultural?

Ricciarelli: Não digo pela diferença cultural, mas sempre dá uma vontade de voltar quando você tem que tirar neve da frente da sua casa com uma temperatura de -20C.

Qual a vantagem de conviver a maior parte do tempo com grupos de Brasileiros expatriados como você?

Ricciarelli: Pode parecer estranho, mas nunca tivemos muito contato com brasileiros por onde passamos. Os poucos contatos que tivemos, foi mais com brasileiros que já estavam no país há muito tempo. Não acredito que a convivência possa facilitar. Depende do grupo onde você está pode até atrapalhar, pois entendo que ao mudar para um país novo, você tem que se adaptar as condições locais, e não tentar fazer um “mini-Brasil” onde se vive. Normalmente o brasileiro se encontra para motivos de festas, entendo que deveríamos criar mais grupos para tratar assuntos sociais e de trabalho. Aqui no Canadá a quantidade de brasileiros não é representativa, portanto fica mais difícil.

Do que você mais sentiu ou sente falta, que no Brasil você tem? Explo: amigos, praia, alimentação, clima, humor das pessoas…  Por quê?

Ricciarelli: A lista é grande, não muito diferente do que você menciona. A razão é muito fácil de explicar. Eu nasci e cresci no Brasil Minha esposa é brasileira, minhas filhas são brasileiras, ou seja, tudo de bom na minha vida é Brasil. Minha carreira profissional foi muito boa também no Brasil, não precisei sair do País para ter uma carreira melhor. O que sou hoje foi fundamentado no meu país. E normalmente, quem mora fora, lembra-se muito do que era bom.  No meu caso, sinto muito falta da minha mãe, e dos meus amigos. Pode parecer estranho, mas falo com minha mãe muito mais agora do que quando morava no Brasil.

Qual papel você acredita que a família tem no auxílio à adaptação cultural?

Ricciarelli: O papel é fundamental.  Acho que não estaria aqui se não fosse pelo apoio da minha esposa e da minha filha mais velha. É muito importante também o lado de quem fica no Brasil. Se você não contar com a compreensão deles pode complicar e muito. Um dos fatores mais importantes, é o de estar inserido na comunidade local, adaptar-se aos usos e costumes do País, caso contrário, você somente ficará pensando: “como era bom no Brasil”.

No que a experiência de ser expatriado, contribuiu pra você?

Ricciarelli: Em primeiro lugar em valorizar as coisas boas. Aumentar em muito a consciência de ser família. Acho que sou um pai mais presente do que eu era quando morei no Brasil, participo bastante da vida escolar da minha filha. Mas ao mesmo tempo ter uma profunda decepção ao ver que o país que eu amo, tem problemas básicos como educação e segurança que não são prioridade para o governo atual.

Como é criar seus filhos, longe de tios, avós, primos… que estão em outro país?

Ricciarelli: Acho que este é um ponto complicado. Querendo ou não, você acaba quebrando o elo familiar. Para meus filhos, família somos nós, elas, infelizmente, estão crescendo sem os avos, tios e primos. No meu ponto de vista esta é a pior parte, e passa despercebida pelas minhas filhas. Como são novas, ainda não percebem a importância da família, com certeza devem sentir no futuro.

Alguma situação onde seus filhos passaram por dificuldades com relação à adaptação cultural?

Ricciarelli:Entendo que minha filha não teve problemas fora do Brasil, na verdade ela teve mais problemas quando voltamos ao Brasil em 2004, onde a grande maioria das crianças na idade dela (então 10 anos) andavam com seguranças e baby sitters em lugar dos pais.

Se você precisar voltar para o Brasil, como acredita que será a (re) adaptação deles?

Ricciarelli: Difícil, quase impossível. A minha filha mais velha dificilmente volta ao Brasil, devido a diferença cultural que ela tem. Brasil é para passar férias não para morar.

O que poderia ter sido feito para evitar essas situações de dificuldade?

Ricciarelli: A diferença entre crianças que foram criadas no Brasil e as que estão fora é muito grande. Minha filha não teve baby sister, não usamos guarda costas, nosso carro não era a prova de balas, etc…Ela entende que para ir de A para B, pode andar sozinha o que seria quase impossível em São Paulo.

 

01/19/2010 Posted by | Canadá | Leave a comment

# Uma brasileira que deu certo na China

Nome: Joana Leão Riquet                Idade: 26

País de Origem: Brasil

Em quais países você já morou? Estados Unidos, China e Brasil

País onde reside atualmente: China

Quanto tempo neste país? 4 anos e 4 meses

Qual o fator determinante pra você aceitar a transferência internacional?

O fato de que eu tinha esse plano de estudar Chines para me especializar em estudos de China Contemporanea. Meus pais não só me aceitaram minha escolha como apoiaram e apoiam ate hoje.

De quem você recebeu auxilio durante a mudança?

– Recepção no país: Recebi a ajuda da familia do adido militar na epoca. Ele era amigo do meu pai nos tempos de Marinha.

– Busca de bairro para moradia: Logo que cheguei fiquei alguns dias na casa da familia do amigo do meu pai, mas em poucos dias estava morando no dormitório da Universidade onde estudava Chines. Alguns meses depois, cansada de morar em um quarto de 14 metros quadrados, eu e uma amiga Neo-zelandeza decidimos alugar e dividir um apartamento que ficava bem perto da universidade.

– Busca de escolha ou cursos: Todas as minhas escolhas de cursos eu fiz sozinha. Quando deciidi estudar Mandarin, eu estava ainda no Brasil escrevendo minha monografia de graduacao sobre a Revolucao Cultural Chinesa. Foi durante a pesquisa que vi o nome da Universidade Normal de Beijing, que foi uma das faculdades onde os guardas vermelhos atuaram. Depois de fazer uma pesquisa descobri que a faculdade era muito boa e dicidi ir para la. O mestrado eu comecei dois anos depois de ter chegado na China. Comecei a pesquisar programas de mestrado na China sobre China mas ensinados em Ingles. Dai descobri esse programa de Estudos de China Contemporanea Na Renmin University (Universidade do Povo). Era uma programa novo, mas muito bom!

De zero à dez (0-10), quanto você acredita que precisou abrir mão de tudo que lhe é conhecido para entrar em um mundo com novas representações e novos significados?

Oito

Quais os fatores interculturais, mais estressantes para você:

Idioma/ alimentacao/ servicos de saude/ fuso horario/ falta de relacoes socias( com os chineses)/ formas de se relacionar/ diferenca de pontualidade

Houve alguma situação em que você se sentiu confuso ao interpretar alguma informação no país onde está morando?

Na China tudo e diferente. As vezes um pouco diferente, as vezes muito diferente. Os sinais que eles usam para indicar numeros sao diferentes! E como aprender linguagem surdo-mudo! Hoje em dia e engracado pq eu uso esses sinais mesmo quando falo em ingles!

Relate uma ou mais diferenças entre o Brasil e o país onde você está morando, que em um deles é considerado normal e no outro não:

Aqui a falta de privacidade e normal. Lembro da minha primeira ida a um banheiro publico. As privadas sao sempre ou quase sempre no chao, o que eu hoje em dia acho otimo pq e mais limpo ( vc nao tem contato nenhum com ela) e pratico. Porem, muito desses banheiros nao tem porta, ou seja, vc faz tudo na frente dos outros!!!! Hoje em dia, para mim isso e tranquilo, nem ligo mais. Outra coisa que da nojo nos estrangeiros e  a mania dos homens chineses de cuspir. Quantas vezes ja nao vi um taxista abrir a porta do carro e dar uma mega escarrada no chao! Tbm ja vi a mesma coisa sendo feita em restaurantes!!! Com o tempo vc acostuma

Alguma atitude tua, chocou outras pessoas deste país?

Chocar nao. Mas os chineses acham engracado quando eu dou uma gargalhada. As mulheres chinesas nao fazem isso. Elas sorriem e cobrem a boca para rir. Entao quanto eu abro a boca numa gargalhada eu chamo atencao. Em alguns lugares da China onde a poucos estrangeiros, o mero fato de eu ser ocidental ja choca eles! Eles olham e olham e olham espantados!

Alguma festa comemorativa é festejada de forma diferente dos costumes brasileiros? Quais?

Bem, a China e comunista, entao nao ha feriados religiosos. Aqui nao tem natal por exemplo, Dia 25 de Dezembro e um dia como outro qualquer. Os casamentos tbm sao celebrados de forma diferente. Nao ha Igreja, e as mulheres veste vermelho, que a cor da felicidade.O ano novo deles tbm e diferente. Eles seguem o calendario lunar e celebram por uma semana inteira. O feriado mais importante e o primeiro de outubro, fundacao da Republica Poplar da China que aconteceu em 1 de outubro de 1949. Esse ano comemoramos 60 anos! Foi uma super parada na Praca Tiananmen!!!!!

Como você lidou com as festas de fim de ano longe da sua família no Brasil?

Lidei bem! Sempre passei com amigos, saia para jantar, para dancar. Ligava para a minha familia. Nunca sofri, nunca chorei. A gente acostuma especialmente pq aqui na China nao ha espirito natalino!

Em algum momento você se sentiu desconfortável, como um “peixe fora d’água”? Conte pra gente…

A vida aqui e muito diferente e os estrangeitos tendem a se juntar e viver no que eu chamo de uma bolha. Moro com meu namorado que e um expatriado dinamarques. Nossos amigos sao todos estrangeiros de diferentes lugares. Na escola onde estudo chines, tenho colegas do mundo todo. Somos todos peixes fora dagua mas em um circulo de pessoas tao variado, deixa de existir um padrao de comportamento.

Sentiu algum tipo de preconceito contra você ou contra algum membro da sua família? Relate a situação.

Nunca! Quando digo que sou brasiliera os chineses vao a loucura porque sao fas do futebol brasileiro. Eles ficam espantados pq nao sou negra. Para a maioria deles todo brasileiro e negro!

Em algum momento sentiu vontade de voltar para o Brasil, devido a diferença cultural? Por quê?

Nao. Ja tive meus chiliqes quando fiquei frustrada por ter sido passada para tras, por exemplo quando vou as compras em lugares onde tenho que negociar o preco. As vezes fico frustrada com um motorista de taxi que berra comigo pq ele nao gosta de ir ao lugar que eu quero ir. Mas tudo isso passa. Gosto de morar aqui apesar dos problemas do dia a dia

Em algum momento você sentiu que devido a cultura local, você teria que abrir mão de um valor pessoal? Relate a situação. Tive que abir mao de algumas coisas. Por exemplo,meu apego a minha privacidade. Os chineses perguntam tudo e querem saber tudo. Banheiros sem porta, vendedores que pegam em te puxam para que vc compre alguma coisa.

Qual a vantagem de conviver a maior parte do tempo com grupos de Brasileiros expatriados como você? O quanto você acredita que essa convivência possa ajudar na adaptação cultural?

Do que você mais sentiu ou sente falta, que no Brasil você tem?

Sinto falta de algumas coisas. Por exemplo, livre acesso a informacao. Aqui o youtube e boqueado, facebook e bloqueado, CNN e BBC poucas casas tem e se o sinal vem da China, o governo pode tirar do ar caso a noticia seja polemica (como por exemplo o aniversario da revolucao cultural). Sinto falta da comida brasiliera pq nao gosto muito da Chinesa. Sinto falta de ir a um supermercado e achar variedade nas coisas que gosto. Num supermecdo chines se eu achar uma marca de manteiga ja e muito!!!! Se quero variedade preciso ir a lojas internacionais onde tudo e caro!

Aqui em Beijing nos temos todas as estacoes. O verao e super quente e o inverno e super frio! A poluicao aqui tbm e terrivel. Eles queimam carvao para gerar energia. No inverno tem dias que o ar cheira a carvao! A poluicao e tanta que vc nao enxerga o predio que esta na sua frente! Sinto falta da praia e logico! Tbm sinto falta do bom humor carioca! Os chineses sao mais fechados.

Qual o papel você acredita que a família tem, em casos de não adaptação cultural? No que você acha que a família pode auxiliar?

Eu vim pra ca sozinha e hoje em dia moro com meu namorado. Minha familia sempre de apoio, mostrou interesse. Nao tive problemas de adaptacao, mas sempre que tive alguma dificuldade, algum problema pude contar com minha familia. Minha familia ajuda pq sei que se eu precisar dela, ela esta la. Nunca senti falta de casa. Para mim casa e a algo fluido. Vc muda de casa, de pais, de circulod e amigos. Minha base, minha raiz e minha familia.

No que a experiência de ser expatriado, contribuiu pra você?

Hoje em dia me considero uma pessoa mais aberta. Durante esses anos na China minha mete expandiu. Vi culturas diferentes, passei por experiences inesqueciveis. Acho que ganhei experience de vida, que muitas pessoas da minha idade nao tem.

Quais os serviços você considera que teriam sido, (ou foram) importantes para amenizar o choque cultural? Comente.

Auto conhecimento: Esse e o mais importante. Mas acho que a experiencia de viver fora contribui muito para seu auto conhecimento.

Informações sobre o país antes da partida: Muito importante. Eu cheguei sabendo pouco e hoje em dia que ja conhceco bem, navego muito bem na sociedade chinesa.

Viagem para familiarização: Antes de me mudar para ca em 2005 eu vim em 2004 a passeio. Porem, a experiencia como turista e como moradora foram totalmente diferentes!!!!!

Apoio para busca de moradia / escola / cursos: E bom ter esse apoio. Meu apartamento, minha escola. Achei tudo sozinha. Claro qur que tive ajuda em varios momentos. Mas, se tivesse tido alguem para me ajudar no meu primeiro contrato de apartamento, por exemplo, teria sido muito melhor. Eu tive que fazer isso sozinha, aos 22 anos e falando pouco chines.

Treinamento Intercultural : Ajuda com certeza. Especialmente quando falamos em China onde tudo e diferente. Aprendi isso na pratica e deu certo. Mas acredito que e melhor se informar sobre algumas antes de vir.

Contato com outros brasileiros morando no país anfitrião: E bom! No comeco sempre tive amigos do meu pai que trabalhavam a embaixada. Mas nunca tive muitos amigos brasileiros. Hoje em dia a maioria e estrangeiro. Tenho muito contato com a comunidade dinamarquesa, que e nacionalidade do meu namorado.

Sobre o choque cultural… Se você pudesse dar um conselho para quem está indo para seu país sem prévias informações sobre a cultura, qual seria o conselho?

Tres conselhos: primeiro. A china é um pais que ficou fechado muito tempo, tem uma historia marcada por fases de isolacionismo. Alem disso, o fato de se ser estrangeiro esta na pele. E so olhar para nos e os chineses ja sabem que nos nao somos chineses. Para mim que ja morou nos estados unidos foi um choque, enquanto la eu me misturei facilmente, aqui eu nunca consegui. Entao ai vai meu primeiro conselho: A total imersao e muito dificil ou impossivel. Se quiser ser feliz na China aceite isso e sua vida sera muito mais facil. Segundo: faca um esforco para aprender a lingua inckusive a escrita. A essencia de uma cultura esta na lingua. E pq a escrita? Pq sao os caracteres e nao as palavras faladas que contem significado. E uma linga dificil, mas muito interessante! Tercerio: Viva a sua experiencia e nao a dos outros. O modo como vc ve um pais uma cultura depende muito de como vc como individuo le o mundo. A minha China e a soma do pais em si, das pessoas que me cercam e da minha bagagem pessoal. Cada um tem seu modo de ver o mundo navegar nele. Temos que cada um achar nossos proprios caminhos e decidir ate que ponto queremos nos imergir no mundo novo.

Gostaria de considerar mais alguma coisa?

Gostaria so de adicionar que ainda acho que poucas pessoas conhecem a China. So vejo noticias relacionadas a economia ou entao noticias que tratam a China como um pais comunista, sem liberdade, com um governo terrivel que censura e diz nao a democracia. Acho isso trsite, pois ha muito mais. E um pais rico que esta crescendo apesar de tosdos os problemas que enfrenta. Apesar da censura, esta havendo uma abertura super rapida. Ha tbm varias experiencias democraticas no pais hoje em dia, como eleicoes locais. Em relacao a liberdade, me sinto muito mais livre em Beijing, onde posso andar sozinha pelas ruas a noite do que no Rio de Janeiro. Ha problemas aqui, com certeza. Concordo com tudo que vejo, claro que nao. Mas me incomoda quando escuto pessoas criticando a China sem conhece-la. Ha muitas coisas boas. Apesar das eventuais dificuldades, me sinto em casa aqui.

01/08/2010 Posted by | # ENTREVISTAS, China | 2 Comments