To Live Abroad

Visão Estratégica e Multidisciplinar formam o Negociador Internacional

 

Jornal Estado de Sao Paulo

07/08/2010 Posted by | # ENTREVISTAS, Outras | Leave a comment

# X! Entrevista. Expatriação, festas de fim de ano e saudade.

* Por Carmem Galbes – expatriadas.com

Olá, X!
Árvore de natal, Papai Noel, presentes, panetone, peru, caça à vaga no estacionamento do shopping…é 2009 indo embora!
Preparada para as festas? Que delícia!
Mas tem expatriada que não consegue lidar bem com esse período. Saudade da família, dos amigos, do tempero, da comilança…
Para amenizar esse aperto que algumas sentem, nada como uma boa conversa.
A psicóloga Graziele Zwielewski, especialista em gestão internacional, fala sobre a angústia comum nessa época, lembra da importância de não deixar a peteca cair, principalmente em casa que tem filhos, e sugere algumas atitudes para fazer do fim do ano a festa que sempre foi.
Então prepare o espírito e aproveite o papo!

XAs festas de fim de ano podem ser uma fase ainda mais difícil, principalmente para as crianças acostumadas a viver as comemorações perto de tios, primos, avós…Como minimizar a saudade nesse período?
Graziele – Saudade pode doer mesmo em dias comuns, mas sem dúvida a intensidade aumenta em datas comemorativas. Talvez os adultos sofram mais com a distância do que as crianças, porque, até pouco tempo atrás, a chamada família estendida tinha forte influência na vida dos filhos, sobrinhos, netos, primos. Hoje essa presença – mesmo que os parentes vivam na mesma cidade – já não é tão constante. Além disso, a “cara” da família nuclear vem mudando. Por causa do divórcio, hoje é comum – não que seja mais, ou menos, dolorido – a criança ter de dividir a companhia das pessoas queridas, passar o natal com a mãe e o ano novo com o pai, por exemplo.
Mas voltando ao nosso tema, à família expatriada, saliento duas regrinhas básicas para diminuir a dor da distância nesse período de festas: comemorar sempre, não importa se entre muitas ou poucas pessoas, e cultivar amizades.
Se os pais vivem a distância dos parentes de forma negativa, se lamentando pela saudade e tristes, ensinarão aos filhos distorções sobre datas importantes. Assim, o natal – que é sinônimo de alegria e paz – será aprendido pelas crianças como uma data que traz sentimentos desconfortáveis.

Por outro lado, se os pais aproveitarem para se unir, para ensinar os valores do natal, e as diferentes formas de comemoração, encorajam a criança a enxergar o aspecto positivo desse dia e a criar, de forma saudável, a sua história com essa festa.
Vale lembrar que é de extrema importância para o desenvolvimento da criança que o vínculo familiar não seja rompido. E essa é uma tarefa que os pais tem de assumir com seriedade. A criança precisa saber das suas raízes e se sentir membro de uma família, independente dos laços sanguíneos.
A tecnologia permite o contato em praticamente qualquer lugar do mundo. Por que não rever fotos e reunir os queridos em frente ao computador para uma calorosa reunião online?
X – Qual a importância de se preservar as tradições familiares e culturais, mesmo à distância?
Graziele – A tradição é a raiz e a origem. Desvalorizar, ou não dar continuidade à cultura de origem, é tirar o significado da própria história.

X A família expatriada deve dar mais atenção às tradições locais, à própria cultura ou deve buscar uma mistura das duas?
Graziele – Vamos esclarecer algo: é importante que os pais preservem em casa a cultura de origem, com seus gostos, cheiros, regras…porque esses são alguns dos alicerces no processo de construção moral e intelectual da criança. Porém forçar alguém a seguir costumes e valores de determinada nacionalidade quando se está inserido em outra tradição é querer viver fora de contexto.
Os pais precisam lembrar que eles já estão com caráter e personalidade formados, apesar de suscetíveis à mudanças, e que a criança, para ser aceita, precisa – muitas vezes – se comportar e “ser” como os amigos. Ela não gosta de se sentir diferente.

Resgatar as tradições de origem e, ao mesmo tempo, experimentar os costumes locais pode ser um ótimo exercício sobre como lidar – de forma saudável – com o que nos parece estranho. Isso abre horizontes, permite comparações e dá ao expatriado – seja lá de qual idade – a chance de quebrar preconceitos e de eleger as tradições que aprecia.
Isso me faz lembrar de um casal de amigos que vive com a filha de 5 anos em Portugal. A família faz questão de passar as festas de fim de ano com portugueses, comendo bacalhau e esperando o “pai natal”, enquanto os avós aguardam na webcam para desejar feliz natal. Esse tipo de atitude demonstra respeito pelas raízes da família e aceitação da cultura anfitriã, o que ajuda – e muito – na adaptação.

X – Em novembro a cena já é essa: presépios, presentes, papai Noel, árvore de Natal. Como entrar no clima em um ambiente em que o cenário de fim de ano não tem nada de natalino?
Graziele – O Brasil é predominantemente Cristão. As tradições natalinas – inclusive as comerciais – são muito arraigadas aqui. O clima de Natal é – sem dúvida – maravilhoso. Mas é interessante perceber que estar longe de tudo isso pode ser uma ótima oportunidade para lembrar que o natal não é vivido somente em frente às vitrines, luzes e decorações maravilhosas. O Natal é um resgate de valores que podem e devem ser repassados para as crianças dentro de casa, inseridos em uma cultura diferente ou não.

X – Como deve ser a conversa com as crianças sobre as diferentes tradições?
Graziele – Se pararmos para pensar, em todos os lugares encontramos pessoas diferentes, mesmo quando não enxergamos essas diferenças. Nordestinos são diferentes de paulistas, que são diferentes de gaúchos, que são diferentes de mineiros…

Quando estamos em um outro país o choque é, claro, maior. Não podemos desprezar o diferente onde o diferente somos nós… é preciso traduzir para nossas crianças o que está se passando. Mas nem sempre os pais conseguem lidar de forma tão assertiva. Viver e instalar-se em outro país não é fácil. Pode ser frustrante, estressante, dolorido… Na maioria dos casos o mal estar vem justamente da falta das nossas redes sociais. Uma alternativa para esses casos é procurar ajuda. A psicoterapia, por exemplo, pode favorecer a criação de um espaço para que os pais falem de suas frustrações, insatisfações, angústias…Trabalhando essas questões, pode-se entender melhor a realidade e, assim, colaborar para que a experiência intercultural dos filhos seja mais positiva.

01/19/2010 Posted by | Outras | Leave a comment